segunda-feira, 23 de novembro de 2009



Elenco, toda produção e público reuniram-se, nesta terça-feira (17), pela última vez, nos estúdios do Projac, zona oeste do Rio de Janeiro, para o final da série, com o episódio “O Caminho das Estrelas”.

Mesmo em clima de despedida, as piadas, palavrões e gargalhadas rolaram soltos durante a gravação, para alegria da plateia. A cada ameaça de alguém cair aos prantos, antes do término do trabalho, Miguel Falabella, ator e autor do programa, sugeria: “Respira, respira, se não a gente não termina isso hoje”. Assim que Cininha de Paula, diretora geral do programa, agradeceu e parabenizou toda a equipe, Adriana Esteves, Arlete Salles, Fernanda Souza, Miguel Falabella, Stella Miranda, Marisa Orth e boa parte dos profissionais da atração caíram no choro.

Na plateia, alguns também se emocionaram. Um grito ficou no ar: “Mais um!”

Aliás, essa é a esperança de Adriana Esteves, que tentou conter as lágrimas. “Gente, eu não consigo falar [silêncio]. Foi um dia muito delicado. Não foi difícil. Foi um dia muito feliz. Talvez até mais feliz que todos os outros. A gente se gosta pra caramba. Nunca houve um problema com ninguém aqui. Não dá para entender essa separação depois de três anos juntos. O programa tem a mesma idade que a do meu filho mais novo. É uma ruptura”, afirmou a atriz, enxugando as lágrimas que insistiam em cair.

Ela disse que já está torcendo para que o último episódio de “Toma Lá Dá Cá” alcance uma ótima audiência e que haja manifestação dos espectadores para que o condomínio Jambalaya volte à cena.

Adriana relembra que sentiu receio diante do convite de Falabella para interpretar a Celinha. “Achei uma loucura. Será? Puxa, eu ao lado de Arlete Salles, Marisa Orth? Dentro da dramaturgia, eu já vinha fazendo algumas personagens com certa comicidade como a da ‘Comédia da Vida Privada’ (1995) e de algumas novelas. O humor veio chegando aos pouquinhos para mim. O ‘Toma Lá Dá Cá’ foi a minha primeira experiência como comediante mesmo. Deu um medão”, afirmou a atriz, que entra em férias e viaja para a Bahia, terra do marido, Vladimir Brichta.

Também emocionado, Falabella conta que todos estavam se segurando em cena para não chorar. “O casamento acabou, mas não o amor. Talvez a gente possa voltar. As coisas precisam respirar. Prefiro que as pessoas sintam saudades de mim. Quando você tem uma comédia de confinamento como é o ‘Toma Lá Dá Cá’, você, forçadamente, acaba se repetindo. É bom dar uma parada. Um programa tão vitorioso, divertido. A gente foi tão feliz. Nós tocamos em pontos polêmicos da nossa sociedade com humor. Cumprimos a meta de fazer história em quadrinhos com carne e osso. Eu me inspirei nos ‘Simpsons’. Quis fazer desenho animado com pessoas. Dever cumprido”, resumiu Falabella.

Para ele, a grande surpresa positiva foi a atriz Adriana Esteves, que se revelou como comediante. “Ela sempre foi atriz excepcional e entrou com muita entrega e graça nessa comédia-chanchada. Criou uma Celinha muito querida. Usou o carisma dela e conquistou o público. Eu ando pelas ruas e as mulheres imitam os trejeitos dela para mim”.

Fernanda Souza também diz ter aprendido muito com toda equipe e também sua personagem. “Eu poderia ter feito um curso de comédia melhor do que esse? Eu cresci assistindo a estes atores e tive o privilégio de trabalhar com eles. Sonho realizado. Com a Isadora, perdi a vergonha do corpo, coisa que uma atriz não pode ter. Agora uso shorts e saias curtas. Nunca tinha mostrado os gambitos assim, não”, relata Fernanda, que precisou perder sete quilos, alongar os cabelos e pintá-los de loiro.

Último episódio
No 34º e último episódio da quarta temporada do programa, os moradores do condomínio Jambalaya se encontram em meio a uma conturbada revolução. Os apartamentos são saqueados e os moradores ficam ilhados na casa de Mário Jorge (Miguel Falabella) e Celinha (Adriana Esteves), à espera de uma salvação. Enquanto isso, Bozena (Alessandra Maestrini) sugere que brinquem de “Eu te dedo, tu me dedas”, dizendo ser um jogo de Pato Branco, no Paraná. Na brincadeira, todos deduram segredos uns dos outros e a confusão, que já estava instaurada, fica ainda maior.

Depois de muita espera e confissões inesperadas, Elvanecir (Guida Vianna), chefe da milícia local, chega e diz que os moradores terão o mesmo destino da família imperial russa, e morrerão assassinados. Todos se desesperam e pressionam Mário Jorge, para que escreva um final diferente para esta história. Ele aceita o desafio e começa a empreitada redigindo o texto no laptop de Adônis (Daniel Torres). Em seu novo final, uma nave alienígena paira sobre o condomínio. Nela, Seu Ladir (Ítalo Rossi) diz que pode ser a salvação para Mário Jorge, Celinha, Tatalo (George Sauma), Dona Álvara, Bozena, Adônis, Rita (Marisa Orth), Arnaldo (Diogo Vilela), Isadora (Fernanda Souza) e Deise (Norma Bengell). Eles embarcam na nave espacial, mas sem que antes Adônis piche na parede “Nós voltaremos”.


Fonte:UOL