sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Entrevista - Revista da TV - 04/11/2007


COPÉLIA: ''Tive medo de aceitar o papel porque achei que ela poderia causar estranheza no público, por seu uma mulher muito livre sexualmente. E a sexualidade é um lado que causa muito medo nas pessoas. Pensei: 'Será que ela chocar, principalmente as pessoas de mais idade?' Aí veio a surpresa: quem mais aceita a Copélia são as pessoas de meia-idade. E os gays, que também são uma minoria oprimida. Mas confesso que fiquei receosa de ela ser rejeitada por falar tanto de sexo, que é um assunto sempre escondido em véus.''

CONSTRANGIMENTO: ''No início, fiquei constrangida em falar algumas coisas, embora tenha o respalto da comédia. E Copélia não diz grosserias. Mesmo assim, fiquei preocupada. Teve um dia em que o Arnaldo (Diogo Vilela) falou um texto que me fez pensar que não teria coragem de entrar em cena. Ele disse: 'Tenho que avisar a Copélia que ela tem que ter modos aqui em casa. Ela estava usando o nosso banheiro, mas, como eu não sabia, fui entrando. Ela estava usando o nosso chuveirinho e cantando: Amada amante...'. Copélia é uma louca transgressora. Só parei de me preocupar depois do terceiro episódio porque a reação foi positiva.''

CASAMENTO: ''Jamais pensei em me casar outra vez. E olha que já fui muito casadoira. Achava que o casamento era uma das melhores formas de ser feliz, que era muito bom chegar em casa e ter alguém me esperando. Acho que é, mas tem muita fantasia romântica. O casamento tem mais coisas do que chegar em casa e tomar um vinho a dois. O casamento é quase incompatível com o sexo. Eu mesma não tive paciência com o casamento. E a sexualidade precisa da paixão. O sexo no casamento vai ficando mais calmo e mais esporádico. E isso, na minha cabeça, sinalizava o término, que o outro estava deixando de me amar ou eu a ele. Mas acho bacana ver essas senhoras que já são casadas há 50 anos, docemente, ao lado de seus maridos. Não tenho inveja. Não me vejo assim. Sei que é uma loteria achar esse companheiro.''