quarta-feira, 12 de novembro de 2014

Beijo técnico: após declaração de atriz, artistas falam sobre a língua em cena


O beijo técnico é tão mítico quanto as cenas que antecedem o último capítulo de uma novela. Quando Vida Alves deu o primeiro beijo da TV, em Walter Foster, com quem vivia par romântico em "Sua vida me pertence", de 1951, não teve outro assunto naquela semana. Coisa parecida está acontecendo após a declaração de Andréia Horta no " Mais Você ". A intérprete de Clara, na trama de "Império", disse com muita tranquilidade que no beijo técnico a "língua é bem-vinda". Ou seja, se um dia o beijo técnico existiu, sua morte parece ter sido decretada.
Durante décadas, no entanto, o beijo de mentirinha fez parte do discurso de muitos artistas para se esquivar da pergunta: "Você beija de verdade?". Sem qualquer receio, Ney Latorraca é categórico ao dizer que sempre beijou. "Não existe o beijo técnico. Parto do princípio que se um ator e uma atriz têm intimidade em cena, são amigos, o beijo tem que ser pra valer. É claro que aquela língua enrolando de um lado para o outro é feio esteticamente. Mas o beijo bem dirigido e verdadeiro é bonito de ver. Difícil mesmo é beijar sem se mexer, como aconteceu comigo quando fui beijado pelo Tarcísio Meira no filme 'Beijo no asfalto'. Levou três dias para esse beijo sair e eu fazia um morto, logo não podia mexer um milímetro", contou ele, referindo-se ao longa de 1981.

Contemporânea de Ney, Arlete Salles acredita que o beijo técnico existiu, mas hoje caiu em desuso. "O público não aceita mais aquele beijo boca com boca. Dependendo do envolvimento dos personagens, torce para aquela relação e uma relação tem beijo de língua", avalia a atriz, que se lembra com certa nostalgia dos beijos que recebeu de Fábio Jr. em "Pedra sobre pedra": "O Fábio beijava no ensaio, durante a cena e depois do 'corta'. Ele beija muito bem e de verdade. Não vejo problema algum em beijar desde que se dê sorte de pegar um bom paceiro bom de boca e com hálito em dia feito o Fábio".

Antônia Fontenelle não teve a mesma sorte que Arlete. A atriz, inclusive, está há alguns trabalhos sem beijar. "Já fiz duas novelas em que a personagem era casada, mas nunca teve cena de beijo. Em uma delas, o casal só brigava. A autora não escrevia a cena do beijo e acho que por receio do meu marido que era diretor, e na outra eu fazia a mulher do Humberto Magnani, com idade para ser meu avô. Não seria de bom tom beijo de língua. Nas outras personagens eu era solteira. Ou seja, estou à espera do tal beijo", diverte-se a atriz. "Não existe beijo técnico. Existe beijo profissional, sem sentimento. Se for para ser crível, lógico que língua vale", completa.


Se Antônia está à espera de um beijo de tirar o fôlego, com isso também sonham muitas mocinhas que suspiram por Caio Castro . O moço tem uma legião de fãs que adorariam estar no lugar das atrizes que contracenam com ele. E, meninas, podem suspirar mesmo: Caio beija de verdade. "Acho que o beijo técnico pode ter língua ou não. Depende do tipo de cena. Tem cenas que não tem nada a ver ter língua nem necessidade. Já em outras, se não aparecer língua fica tecnicamente falso. Dependendo da cena língua é bem-vinda sim", contextualiza o galã.
Para que um beijo seja mostrado em ângulos que favoreçam a cena, o cuidado da direção é fundamental. Ingra Liberato deu seus primeiros beijos em cena dirigida pelo ex-marido Jayme Monjardim, em "Ana Raio e Zé Trovão". E eram beijos longuíssimos... "O Jayme gostava de filmar o beijo com uma bela luz, com um pôr do sol, então, as cenas eram intermináveis. O Almir Sater, que fazia par comigo na época é que ficava constrangido e dizia: 'Mas seu marido fica me pedindo pra repetir o beijo'", lembra ela, que nem sabe o que é beijo técnico: "Isso não existe. O beijo é pra valer. O que não quer dizer que os atores estejam envolvidos. O beijo de cena não leva à uma relação. Mas o beijo que é dado fora do set, sim".

Já Thaíssa Carvalho , que em "Flor do Caribe" trocou muitos beijos com vários atores, rema na corrente oposta e garante que existe, sim, beijo ténico. "O beijo técnico seria sem língua, mas o que define mesmo tudo é o respeito com o colega de cena. Além de tudo, as pessoas esquecem que durante a gravação de uma cena existem mil coisas acontecendo, uma equipe enorme do estúdio, temos que pensar na luz, em estar na marca que o diretor pediu, falar o texto, dar a emoção certa para a cena e o beijo é apenas uma coisa a mais", pondera ela, que aceitaria a língua de um colega em sua boca caso fosse necessário: "Se for combinado com os atores e a direção e a cena pedir uma emoção a mais, ok. Como atriz não podemos ter preconceitos, estar com a mente fechada. Porém, eu acho que esteticamente fica mais bonito sem língua. Principalmente em um close."
Fonte:Ego