quarta-feira, 19 de maio de 2010

Entrevista Contigo - 06/01/2009


Chega de pressa
''Em 2009, eu vou cuidar de mim. Minha prioridade será administrar a vida para ter um tempo para mim, para ler, para estudar e para viajar. A vida atual é de uma urgência que nos impede até de envelhecermos. Ela nos impõe um ritmo tão louco que só quero isso para o próximo ano: tempo. Como canta Lenine: 'Tudo pede um pouco mais de calma'. O que estou me propondo para 2009 é tirar esse desespero, essa correria em que nos metemos.''

Copélia, a corajosa
''Ela é uma transgressora. Eu já havia feito personagens loucas, mas nunca com esse foco da sexualidade. A loucura dela é a serviço do sexo, que ainda hoje é assunto tabu. Copélia vive sua sexualidade de modo corajoso e eu tinha receio de que ela fosse chocar muito as pessoas. Ela é ousadíssima, mas tem a grande moldura do humor. E, por meio dessa abor dagem simpática e leve, conseguimos ampliar limites nessa área tão delicada. Copélia nos permite ir contra a intolerância com relação aos mais velhos que querem manter sua sexualidade ativa, que não morreram antes da hora, que desejam a vida, o amor e o afeto.''

O aplauso
''Sou roceira. Essas coisas não apagamos de dentro de nós. Internamente, eu continuo sendo uma roceira tímida. Existem momentos que me remetem à Arlete de Paudalho (cidade do interior de Pernambuco, onde ela nasceu), com aquela timidez nordestina. E reajo, mas sempre com o seguinte alerta: 'Seja natural, Arlete. Não tente se sofisticar. Seja você mesma, não viva dentro de uma personagem'. Minha mãe veio da caatinga e, no dia 8 de dezembro, quando ela completou 89 anos, pude proporcionar-lhe uma festa na Casa Julieta de Serpa em que ela recebeu suas amigas, netos e bisnetos. Quando a vi sendo prestigiada por todos, naquele ambiente de luxo e beleza, fiquei imensamente feliz porque ela não estava ali com uma vassoura na mão. Esse é o aplauso da vida.''

Fé na cidadania
''Eu acredito na vida e espero dela sempre o melhor. Não sou tolamente otimista, daquele tipo que fica alheia a situações como a miséria e a violência. Mas acredito que podemos viver dias melhores, principalmente se todo mundo fizer a sua parte, bastando agir como cidadãos.''

A vantagem do vozeirão
''Depois de tantos anos de carreira, há uma frase que dificilmente um artista diz: 'Quero parar'. Eu sou assim. Não digo que quero morrer no palco porque dificilmente quero morrer (risos). A minha profissão é que me define. Não consigo me imaginar sem isso. A cada começo de trabalho há sempre uma renovação, o desconhecido. Qualquer personagem, por mais simples que seja, vem com desafios. Isso é o que adoro nessa profissão. Não gosto da repetição, não tem a menor graça ficar prisioneira de um personagem. Na TV, eu nunca fui a protagonista, a mocinha sofredora... Tenho vozeirão, nunca tive imagem frágil. Em parte isso foi bom porque pude me permitir essa busca por papéis com os mais variados perfis.''

''Açucólatra'' confessa
''Tento ter cuidado com a alimentação, mas sou 'açucólatra'. Não consigo passar sem um doce, sem um bolo... Mas acho intolerável qualquer tipo de fritura. Atualmente, não sigo nenhuma dieta balanceada por nutricionista, mas sempre procuro comer pouco. Meus pratos nunca estão cheios de comida. Não tenho tendência à obesidade, sou do tipo longilíneo. É claro que, com a meia-idade, a gente passa a comer a metade e a engordar o dobro. Faço ginástica supervisionada mais por uma questão de manter a saúde do que preocupação estética.''

Em 2009, canto e dança
''Em 2009 farei um gênero ainda inédito na minha carreira: um musical. Estarei em Hairspray, que será dirigido pelo Miguel. Vou cantar e dançar ao mesmo tempo, sem dúvida um desafio para mim. Durante anos fiz dança de salão (ela teve um relacionamento de sete anos com o professor de dança Álvaro Reis, de quem se separou no começo deste ano), mas agora devo começar aulas de jazz, além das aulas de canto.''

Amor pela natureza
''Sou caseira e adoro morar em casa, pois tenho muito apego à natureza, ao meu jardim. Também amo bichos. É um amor atávico, acho que de outras vidas (ela tem a viralata Susie, 3 anos, e o golden retriever Akira, 7). Os animais sofrem, sentem saudade e não têm muita defesa. Eles são uma fonte de afeto permanente. Eu desconfio do coração, da bondade e da humanidade de quem não gosta de bichos.''


link: http://contigo.abril.com.br/noticias/entrevistas/arlete-salles-vou-cuidar-mim-412510.shtml