quinta-feira, 13 de maio de 2010

Entrevista ISTOÉ Gente - 12/03/2001



Você é vaidosa?
Gosto de me cuidar. Não sou nenhuma perua maluca que sai cedo de batom e de strass. Mas gosto de roupa bonita. Agora estou na fase das sandálias, compro todas as que encontro. Os meus pés não são uma beleza mas gosto de mostrá-los. Adoro banho e perfumes. Prefiro estar com uma roupa discreta, de rosto lavado, cabelo bem tratado e um bom perfume. Perfume é uma mania, sempre gasto mais do que devia. Maquiagem não gosto, tenho preguiça. Isso me faz ficar em casa. Não gosto dos sacrifícios enormes em nome da beleza.



É possessiva?
Não, não gosto de ter uma pessoa ao meu lado porque estou no controle. Isso atinge a minha dignidade, me deixa mal. Quero uma pessoa ao meu lado porque está me amando e não porque não pode sair do meu lado porque eu seria capaz de ter um piti.


Namoraria homens bem mais jovens?
Sem dúvida. Até porque sou jovial, não me vejo namorando uma pessoa mais velha. Talvez da minha idade. Não gosto de pessoas que venham com ranços, com hábitos, com limitações. Não combina comigo. Isso era um jogo cultural contra a mulher, mas que está mudando. Namoraria sim, desde que não fosse um jovem vazio.



Considera-se transgressora?
Talvez para os padrões tradicionais eu tenha sido uma mulher transgressora em alguns momentos. Tenho um pé na transgressão, não gosto das coisas muito certinhas, principalmente no campo afetivo. Sempre acabo contrariando as convenções. Nunca achei que devesse me privar do que estava sentindo porque não estava dentro dos padrões. Isso só fazia com que eu me rebelasse e fosse até o fim. A transgressão é fascinante.



Você foi muito namoradeira?
Não. Eu me casei duas vezes e tive mais umas duas paixões. Namorei e namoro na minha cota certa. Meus amigos ficam inconformados com o fato de eu não estar namorando. Mas não me sinto sozinha. Moro com o minha mãe e meu filho. Estudo, faço aulas de inglês, aulas de dança. Não gosto de ficar parada, me sinto desperdiçando tempo e vida.



Como superou os primeiros sinais do envelhecimento?
Estou envelhecendo bem. Logo depois dos 40 anos, foi um baque. Eu me desajustei, tive que fazer terapia, foi doído. Tive a síndrome do pânico. Tudo que me mobilizava era o fato de que eu não era mais jovem.



Como superou a síndrome do pânico?
Consegui manter todas as minhas atividades, consegui esconder e segurar bastante. Com o tratamento consegui vencer o pânico rapidamente. O pânico é uma outra face da depressão e quando se tem um bom terapeuta se supera a doença rápido.



 E a chegada dos 60?
Outro dia comecei a fazer dança de salão. Ia fazer uma peça e precisava dançar um tango. Nunca havia dançado nada na vida. Casei grávida aos 16 anos, os Beatles espocando e eu olhando da janela porque já tinha um bebê para cuidar. Tinha o maior bloqueio quando chegava a uma festa. Hoje danço bolero e vou começar a aprender a salsa. A dança me tornou mais feminina, segura. Foi uma grande descoberta aos 60 anos.





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